Quinta-feira, dia 20/10 às 19:00

A Cabrita Café está que é só alegria com a “TERtúlia literária”. Neste grupo de leitura fazemos a análise e discussão de contos da literatura em um ambiente agradável e acolhedor. A condução generosa fica por conta de Eduardo Barbosa.

Tertúlia significa um boa conversa entre amigos em torno de um interesse comum. No século XVII e XVIII principalmente, as pessoas se reuniam em cafés para discutir literatura, para uma conversa amigável ou mesmo para um passatempo. Em Portugal autores como Bocage e Alexandre Herculano participavam de tertúlias.

O que você faria se ganhasse na loteria? Gente, neste dia a discussão foi profunda! Após a leitura dramatizada do conto “O Bilhete Premiado” pudemos analisar um pouco da natureza humana a partir das atitudes das personagens.

Vem para o próxima TERtúlia, em breve divulgaremos o próximo conto. Curta aqui para ficar sabendo de tudo! A Cabrita Café não só acolhe o evento mas também oferece seus quitutes, vinhos e chopp com precinhos – como sempre – camaradas.

Quer saber um pouco mais sobre Anton Tchekhov. Leia esse artigo sobre o autor.

 

O Bilhete Premiado

Ivan Dmítritch, homem de classe média gastando com a família 1200 rublos por ano e muito satisfeito com a sua sorte, certo dia, depois do jantar, sentou-se no sofá e começou a ler o jornal.
– Esqueci de dar uma olhada no jornal de hoje – disse sua mulher tirando os pratos da mesa. –  Espia se não saiu a tabela das tiragens.
– Saiu,sim– respondeu Ivan Dmítritch -, mas você não foi o teu bilhete que sumiu no penhor?
– Não, eu fui levar os juros na terça-feira e o encontrei.
– Que número?
– Série 9499, bilhete 26.
– Humm… vamos ver…… 9499 e 26.
Ivan Dmítritch não acreditava em sorte de loteria e, em outra ocasião, jamais conferiria a tabela das tiragens, mas agora, por falta  de assunto  e porque o estava mesmo diante dele, passou o dedo de cima para baixo pela coluna dos números de série. E no mesmo instante, como que zombando de sua falta de fé, logo na segunda linha em cima,  apareceu  diante de seus olhos, nítido e claro o numero 9499! Sem olhar  o número do bilhete, sem pensar, ele baixou o jornal para os joelhos num movimento brusco e, como se alguém lhe tivesse jogado um jato de  água fria, sentiu um arrepiozinho agradável no  ventre – uma cócega ao mesmo tempo pungente e gostosa.
     – Macha, 9499 é a série! disse ele em voz surda
     A mulher olhou para seu rosto admirado e assustado, e compreendeu que ele não estava brincando.
     – 9499? – perguntou ela, empalidecendo e soltando na mesa a toalha dobrada.
     – Sim, sim… é sério
     – E o número do bilhete?
     – É mesmo! Falta o número do bilhete. Mas, espera…pensa só… Não, que tal? Sempre é o número de nossa série! Sempre é, estás compreendendo?…
Leia o conto completo aqui.